Um dia, talvez, eu possa ser como uma estrela cadente. Um meteoro que se inflama ao entrar na sua atmosfera E risca o céu, Traçando sonhos e pedidos Dando, àqueles que acreditam, O direito a um pedido, Um sinal de sorte, Uma esperança. Talvez, na dança ritmada de Shiva, Construindo e destruindo, Posso também criar um universo inteiramente novo e destruir velhos preconceitos.
Faz-se água, banhando o falo febril, inebriante de mistérios ocultos pelos tambores Cadenciando os elementos, da terra mistura com ar a cinza, o pó, a folha.
Cresci repreendida: "não faça isso"; "está errado assim"; "não pense desta forma"; "não fale"; "não seja"; Entendi que ser quem eu era não era bom, era feio, não podia. Senti raiva. Senti injustiça. Não pude expressar. Aprendi a reprimir. Escondi. Mas a raiva estava lá, e crescia. Me tornei uma versão má, fria e cruel - comigo e com os outros. Era como eu manifestava a minha raiva - julgando, apontando, criticando. Mas a raiva estava lá. Aprendi a rebelar. Fiz más escolhas, cometi erros, agi de maneira contrária ao que eu realmente sentia, quem realmente eu era. Dissimulei. Menti. E a raiva ainda estava lá. Aos 18 quis mudar, recomeçar. Questionei. Entendi. Me despi da rebeldia. A raiva estava lá. Aprendizados, dissabores, perdas, dores. Anos que passavam. Algumas pinceladas de cores - aqui, ali. Amadureci. Uma liberdade de ser quem eu era, de decidir, de opinar, de aceitar. Por um momento a raiva não estava mais l...